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06/05/2022

Neuro-x

Este texto foi originalmente publicado como fio no Twitter.

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Essas "especializações" em neurociências, muitas EAD, são o golpe da vez. Um baita reducionismo do comportamento, principalmente o social, a pataquadas sobre biologia humana, neurotransmissores etc. Invadiram as dicas de "saúde" das rádios e cadernos de cotidiano nos jornais.

Como se tudo (mentira, amor, inveja, motivação, sucesso...) fosse causado e explicado pela atividade cerebral. São respostas fáceis para perguntas que mal sabemos formular, mas que certamente não serão respondidas olhando apenas dentro da caixola.

Há uma enxurrada de "especialistas" em neuro-x com vocabulário rebuscado em anatomia, fisiologia e muito pobre em comportamento. Meus favoritos são neuromarketing e neuroeducação. As coisas razoáveis que dizem são estudos de comportamento do consumidor e psicologia, sem modinha.

Há muitos outros, e o golpe colou. Grades de especialização em psicopedagogia, requentadas com um ou outro achado sério, oferecem "guias para o controle do outro" (ou de si). Colegas psicólogos e de filosofia da mente devem adorar nova a literatura de ficção científica.

O estrago não é divertido. Há "especialistas" escrevendo para veículos grandes e disseminando reducionismo a pessoas desesperadas em busca de respostas. Claro, sempre há dicas de livros de editoras duvidosas ou cursos de formação de final de semana para quem quiser saber mais.


Sugestão de leitura: Krakauer, J. W., Ghazanfar, A. A., Gomez-Marin, A., MacIver, M. A., & Poeppel, D. (2017). Neuroscience needs behavior: correcting a reductionist bias. Neuron, 93(3), 480-490.

Obviamente, não estou dizendo que neurociências são pataquada ou que não importam na explicação. A questão é a confusão dos níveis de análise e relações entre cérebro e comportamento. Os debates sobre essas relações estão vivíssimos, menos para o neuro-influencer. Fica a dica.

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