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Não.

Não reconsiderarei minha crença no papel libertador e emancipador da educação enunciado por Paulo Freire… Embora o presidente eleito defenda  a “eliminação da doutrinação”.

Não ignorarei a dívida histórica deste país com negros e índios, sistematicamente excluídos, marginalizados e exterminados sob a justificativa do progresso, do desenvolvimento e da segurança pública…  Embora o presidente eleito defenda que nunca escravizou ninguém e que o discurso da desigualdade divide o país.

Não abandonarei minha concepção libertária de mundo, no qual todos são iguais perante a lei e têm os mesmos direitos, independente de situação econômica, credo, identidade de gênero e orientação política… Embora o presidente eleito considere a diferença um desvio, resultante de educação pouco severa ou da “falta” de valores, e que o único caminho para os “desviantes” é o exílio.

Não desistirei da democracia… Embora se o resultado das eleições fosse outro, o presidente eleito estaria questionando a idoneidade do processo.

Meu silêncio, a partir de agora, não será sinônimo de derrota. Tenho clareza das escolhas que fiz. Meu silêncio significará foco no único objetivo possível, que é resistir frente ao cenário em que todos os valores, crenças e instituições que me definem enquanto cidadão e ser humano estão ameaçados: o acesso universal e gratuito e à educação, a urgência da redução da desigualdade, as liberdades individuais como direitos fundamentais inalienáveis e o respeito à diferença como base de toda e qualquer interação humana. 

Mais de 60% do povo brasileiro discorda do poder que será instaurado no dia 1º janeiro de 2019.

Não podemos esquecer que o poder emana do povo.

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