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2018, programação e uma tentativa de pós-doutorado “aberto”

Todo final de ano eu pesquiso novas linguagens de programação para aprender e utilizar nos projetos novos. É um hábito que mantém as habilidades em dia e a curiosidade afiada.

Em 2017, fiquei atento a linguagens em ascensão como Rust, Kotlin e Go, mas não fui além de baixar os toolkits e brincar um pouco; mantive minha desconfiança sobre Haxe; desisti de vez de investir em Swift; usei menos R do que gostaria e PHP bem mais do que deveria; e permaneci com a sombra de Javascript me rondando. Sobre esta última, integro o grupo dos que a consideram um desastre [1, 2, 3] e ainda assim sou obrigado a utilizá-la no cotidiano (Cordova, Node) e ensiná-la aos meus (pobres) alunos [4, 5].

Nos últimos dias de dezembro descobri a jovem e promissora linguagem Red, espécie de spin-off da versão open-source de Rebol. Fiquei bem interessado em diversos aspectos da linguagem (funcional, homoicônica, macros, sintaxe minimalista, toolchain espartano de ~1mb, crossplatform real, GUI nativo, reatividade), mesmo com muito a ser feito antes da versão 1.0 (I/O, networking, suporte Androi/iOS).

Tenho a frustração histórica de não conseguir trazer Smalltalk para meu dia a dia. Cheguei a ter toda a minha rotina organizada em uma imagem do Squeak há alguns anos, mas a falta de suporte para outras plataformas (hospedagem web e desenvolvimento mobile) me afastaram da possibilidade. A maturidade crescente de Pharo e projetos relacionados mudou o cenário, pois temos Seaside e Teapot para enfrentar o deserto da Web e estamos cada vez mais próximos de virtuais machines para Android e iOS.

Meu caminho até o início do pós-doutorado em Psicologia na Ufes, em março deste ano, consistirá num preparatório para utilizar Red e Pharo nas pesquisas. A primeira parece excepcional para a elaboração de programas rápidos para capturar, processar e analisar dados, com footprint mínimo (os executáveis não passam de ~500kb) e compilação transparente para Windows, Linux e Mac. A segunda oferece pacotes de computação científica bem estáveis e ferramentas de visualização incríveis com Roassal, além de uma comunidade muito ativa e solícita.

Se tudo der certo e a organização que planejei for viável (mais sobre isso em breve), construirei estruturas públicas de divulgação dos progressos do estágio de pós-doutorado neste blog. Será algo como open science, só que em vez de ter artigos como produtos finais, terei posts regulares com dados, códigos-fonte e referências utilizadas, tudo aberto e para livre acesso, reuso e discussão.

Desejo um feliz e produtivo 2018 a todos 🙂

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Comentário

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  1. Não conhecia seu blogue, muito bom saber que tem um lugar onde escreve com regularidade (sem as formalidades cansativas dos papers acadêmicos).
    Tento manter um blog também mas não costumo falar muito de tecnologia lá. Esse ano tenho planos de aprender Haskell de verdade pra perder alguns dos vícios de programador de linguagem imperativa, e tentar entender o mínimo de TensoraFlow para gerar uns Chatbots em português (baseados em obras de grandes autores brasileiros que já entraram no domínio público).
    Bom descobrir esse espaço. Feliz ano novo!

    • Legal Eduardo! Eu tive minha fase (Common) Lisp e Racket… Sem muito compromisso. Eu também estou trabalhando com bots, mas voltados para suporte à aprendizagem. Vamos trocando ideias :)… Abs e feliz ano novo!

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  • Olá 2018, de volta ao básico – Hugo Cristo, Designer 01/01/2018

    […] estilo Yoda, eu inverti a estrutura da fala e publiquei o texto posterior antes deste. Parte do pós-doutorado […]