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12/09/2020

15 dias após 180

Este texto (originalmente um fio no Twitter) combina reflexões sobre os últimos 15 dias como consequências dos últimos seis meses.

Agora que o furacão "início do ensino remoto" perdeu força, olhei com calma os eventos e a conclusão é triste. Foi desnecessário fazer os professores e técnicos trabalharem estupidamente sob tanto estresse. Todas as deliberações pós-julho poderiam ter sido feitas desde abril.

Não há nada radicalmente novo, das tecnologias de ensino disponíveis, passando pela normatização de oferta e matrículas, e chegando aos auxílios para inclusão digital. Estes são novos enquanto valor e finalidade, mas integram a política de assistência estudantil que já existia.

Moodle? Estava lá. Classroom? Estava para quem descobriu sozinho, mas quem aderiu agora poderia ter aderido desde abril, com calma. E pode acabar em 30 de setembro, se o Google deixar de ser legal. Aulas em vídeo ao vivo com gravação? Web Conferência RNP, desde sempre.

Matriculas? Já eram online. Cancelar todo mundo de 2020/1 para fazer novamente não foi inteligente. Bagunçou o planejamento dos alunos, muitos estão sem as matrículas que tinham em março. Bastava deixar cancelarem primeiro, por conta própria, e depois resolver quem ficou sem.

Direitos de imagem, autorais de livros e de outros materiais? Como se não houvesse vista grossa para tudo isso até março. O lançamento do repositório de edutics foi excelente e seria excelente se tivesse sido feito com calma, antes ou depois da pandemia.

Quem tinha o PDF "amigo" para os alunos provavelmente vai manter. A biblioteca ficou anos sem recursos para compras e muitos títulos não existem em número suficiente de exemplares por aluno. O PDF não é pirataria, é garantia de acesso. Já passou uma tarde escaneando livro? É difícil.

Os portais de e-books também já estavam por aí há tempos. Recomendaram aos professores que façam contato com editoras e autores e solicitem autorização de uso dos materiais de forma digital durante o ensino remoto. Piada pronta, a resposta vem com um boleto anexado.

Formação docente? Adotar sala de aula invertida, metodologias ativas e outras "novidades": dependendo do autor, temos redescobertas de propostas socráticas, algumas do século 18 e muitas com 60 anos ou mais. Os professores já estavam atentos e quem não estava, ou não ligava, segue sem ligar.

De qualquer forma, 2h de formação poderiam ter sido 2 meses, desde junho (estou sendo legal em não repetir abril toda hora). Ah, mas e o tempo de preparação das formações? Amigo, uma universidade que não tem programa permanente de formação docente está muito errada.

E combinemos, formação mesmo está sendo de classroom — do próprio Google, sem tutoria, estava pronta. O resto poderia ter sido feita com calma desde... Bem, vocês entenderam. Por que não consultar os pesquisadores em educação da casa sobre possíveis contribuições a fazer?

Lives de 1h (desde maio tava bom), com gente que vive de estudar as variáveis desse processo, teriam gerado a maior formação docente que o ES já viu. E de quebra professores dos outros níveis teriam alguma ajuda científica da Ufes (nem vou entrar nesse mérito para não surtar).

Vejam os workdays do Instituto Federal do ES no YouTube durante a pandemia. Eu assisti vários (começaram faz tempo) e continuam acontecendo. A ênfase dada ao plano de contingência (este sim desde abril) não foi equivocada, só que o "resto" ficou lá sentado esperando.

A pandemia escancarou o quanto algumas coisas funcionam por mágica e outras porque há pessoas se matando 12h/dia. Eu fiz a estupidez de topar trabalhar 10-12h/dia para sanar imobilidade dos outros, e assim fizeram muitos colegas. Não está certo e não deve orgulhar ninguém.

Unicamp. A live da pró-reitora de graduação deles (tuitei aqui na época) foi o assunto preferido dos professores da Ufes. A velocidade de resposta, a colaboração de quem já fazia remoto, a atenção aos alunos. Não precisava imitar, bastava observar o exemplo.

A Ufes é um lugar espetacular. A comunidade acadêmica é tranquila, não temos as confusões pesadas que vemos em outras UFs e ainda somos a única universidade pública do ES (contribuindo com o sul da Bahia, divisas com MG etc).

Podemos ser melhores que isso. Desde abril.

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