em Pós-Doutorado

Após quase 20 dias de trabalho “oficialmente” no pós-doutorado, os famosos buracos negros da revisão de literatura estão devidamente abertos e engolindo qualquer fonte de luz, de vaga-lumes a supernovas.

Minha pesquisa adotou o artigo “Goodbye, teacher…” (Keller, 1968) como ponto de partida da investigação sobre os sistemas personalizados de ensino (Personalized Systems of Instruction, PSI). Se o caso fosse apenas seguir os desdobramentos e (re)encarnações sucessivas da proposta até os dias de hoje, o recorte teria cerca de meio século. O fato é que toda área tem seu próprio buraco negro com ramificações intermináveis, revisões, disputas internas seguidas de cismas e surgimentos da mesma proposta com outras “marcas”. A questão é como lidar com o desenrolar infinito de referências para consultar, tanto quanto às contribuições daquele trabalho quanto à exploração das referências citadas e que parecem (sempre) interessantes.

No doutorado (2010-2014), eu ainda não havia sistematizado o uso do Zotero porque fiz a opção de usar o Google Drive (planilhas e documentos) para organizar minhas referências. Imediatamente após a defesa, na preparação do volume final para biblioteca, indexei tudo que foi citado na tese e desde então me obriguei a usar o Zotero o tempo todo, seja na redação de artigos, livros, relatórios ou projetos.

Pasta da coleção de referências do pós-doutorado no Zotero.

Minha vida ficou infinitamente mais simples para organizar as coleções de referências. Para quem é pesquisador e ainda não usa Zotero, está perdendo tempo. O treco é maravilhoso: é gratuito; funciona como plugin no Word ou Open Office; tem extensão para o Chrome e Firefox, permitindo que você salve automaticamente a referência que estiver no navegador (página do periódico ou base); é possível sincronizar as coleções em várias máquinas e acessá-las via web em qualquer lugar; a inserção manual não é sofrível; existe opção de alternar automaticamente, com um clique, entre diferentes normas (por exemplo, ABNT > APA) nos textos em edição no Word. É amor puro.

Ainda assim, outra dificuldade permanece: inicio meu processo de estudo pela revisão da literatura do assunto e sigo para a produção de material intermediário (anotações, esquemas etc.) que dispensam o retorno às referências consultadas. No momento da síntese, retomo apenas as minhas anotações, até porque fica muito difícil consultar fisicamente tudo o que pesquisei. Tenho o péssimo (ou ótimo) hábito de imprimir, encadernar e catalogar todas as referências, desde a graduação – sou bibliófilo no sentido estrito, adoro até a leitura que sai da minha própria impressora.

Pastas com referências organizadas.

Na época do Google Drive eu armazenava os esquemas junto aos documentos e planilhas, mas com a migração para o Zotero não consigo mais justapor as referências e as anotações (visuais, relacionais) que faço sobre elas. Por isso, desde o 2016 tenho utilizado o Zotero em paralelo ao CMapTools, de forma que para cada coleção há mapas conceituais correspondentes. Utilizo os recursos de inserir anotações, de conectar vários mapas entre si e a links para tornar os esquemas mais “ricos”.

Mapa conceitual para a revisão da Instrução Programada.

Minha dificuldade tem sido o volume de referências e mapas para relacionar e pensar em conjunto. Precisei construir outro mapa conceitual que evidencia a relação entre todos os autores, a temática de sua produção e como se relacionam com outros autores e outros temas da minha pesquisa.

Mapa dos 20 dias das relações (setas+descrição) entre autores (caixas cinza) e temas (caixas verde). As linhas tracejadas indicam co-autoria. Gradualmente estou indicando as contribuições de um autor ao trabalho do outro, o que será muito útil no momento da escrita dos artigos.

A cada nova referência analisada, altero todos os mapas afetados e mantenho o Zotero em dia. Quando começar a escrever (em breve!), bastará (inshallah) retomar os mapas temáticos e o das relações entre autores e temas para aproveitar a trabalheira dessa fase inicial de revisão de literatura.

Ao final do pós-doutorado, mantendo a filosofia da abertura, simplesmente disponibilizarei todos os mapas (19 até agora) com os devidos links para as referências online. Meu objetivo será facilitar a vida de outros pesquisadores do mesmo assunto e explicar minha rotina de estudo para meus orientandos. Tem gente que defende que para estudar é necessário ser disciplinado, embora esqueçam de especificar claramente quais comportamentos estão implícitos nessa “disciplina”. Tornar as referências acessíveis e relacionadas de acordo com seus próprios interesses de pesquisa é um excelente começo.

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